Capítulo 1: A fuga (parte 01)
Eram
duas da madrugada quando o carro parou com os faróis apagados em frente à casa
de Luiza. Todas moravam no Bairro Araújo, sendo Elis no início do bairro,
Cordélia no meio do bairro e Luiza no final, quase chegando ao outro bairro.
Elis abaixou os vidros e sentou-se na janela.
Vestia calça e blusa de gola alta preta, como uma espiã, com certeza estava
levando aquilo tudo muito à sério; de repente começou a emitir o som de uma
águia(ou o que parecia de uma):
_
Uá-á! Cuá-á!
Cordélia
começou a rir:
_ É uma ave ou um macaquinho?
Em meio à
risadas, a luz da varanda da casa piscou duas vezes. Era o código para dizer
que
até agora a
fuga corria como planejada. Luiza surgiu pulando a janela do quarto com uma
mochila, pequena mas que se tornava
enorme devido à quantidade de coisas que abarrotara ali dentro; o vestido de
flanela florido até o joelho estava todo amarrotado, os cabelos presos numa
trança desgrenhada; estava resmungando e com os olhos inchados, parecia que
estava dormindo:
_ Vocês demoraram.
_ Desculpa, foi
difícil fechar a mala. _ Elis ligava o carro enquanto Luiza de sentava no banco de trás. _ Estão com fome? Vamos parar
antes pra abastecer… o estômago? _ Elis ligou
o som e Cordélia riu jogando a cabeça para trás, com certeza não estava
levando aquilo tudo muito à sério, sua
bolsa era a menor. Embora suas roupas não costumassem ocupar muito espaço, Cordélia era linda e adepta de
shortinhos, como o jeans que estava usando e
regatinhas básicas. Luiza deu um sorriso à contragosto mas parecia já ir
ser acostumando com a idéia e Elis… Ah,
Elis parecia estar ganhando seu presente de natal! Pararam no primeiro fast food 24 horas;
pediram e sentaram pra comer.
_ Meninas… e a
escola? A gente vai perder muita aula… _ Luiza ainda não havia tocado na comida.
_ Você não vai
comer isso,né? _ Cordélia pegava as batatas fritas de Luiza.
_ Pra que
escola enquanto podemos aprender com a vida? _ Elis definitivamente levaria
aquela
loucura em
frente. E Cordélia estava apoiando! Luiza começou a sufocar, o coração
disparar. O som das batatas fritas mastigadas ecoou no seu ouvido junto com o
refrigerante que passava pelo canudinho
antes de virar goladas na garganta de Elis. Olhou em volta e tudo começou
a rodar, suas mãos estavam geladas, o
suor escorria pela testa. As risadas das amigas tornaram- se um som estrondoso.
_ Chega!
Nenhum comentário:
Postar um comentário